Maravilhas da Biblia
A Bíblia Sagrada continua a ser o livro mais lido da humanidade e é também aquele que é sujeito às interpretações mais díspares, absurdas e contraditórias. Há quem a tome à letra e a siga sem procurar o seu sentido mais profundo não tendo em conta aquele alerta de Jesus Cristo que dizia que "a letra mata mas o espírito dá vida".
Desconhecer a Bíblia é ignorar o maior fundamento cultural da nossa sociedade; é também, e muito mais importante, desconhecer a forma como homens e mulheres durante séculos se comunicaram com Deus e como Deus se comunicou com eles. Quem quer evoluir espiritualmente, quem pretende ter comunhão com Deus e ser um com Ele não se pode dar ao luxo de não ter conhecimento deste documento que abarca milénios de história e que foi escrito em várias fases durante séculos.
Em suma, por muito que se critique a Bíblia e a forma como é interpretada, cremos e sabemos no mais íntimo de nós mesmos que a Sagrada Escritura é Palavra de Deus. Desprezar a Palavra de Deus contida na Bíblia é desprezar um instrumento único para conhecer a Sua vontade e a Sua mente. Que outros meios mais acessíveis e mais claros do que ela existem?
Se quer conhecer mais da Bíblia, muito além de uma perspectiva tradicionalista e em que o véu do entendimento começa a ser levantado, em que se fala abertamente de algumas das coisas que Jesus Cristo falava em segredo apenas aos Apóstolos, então encontrará algumas das respostas neste Site.
Falsos ensinamentos que contradizem a Bíblia
O Cristianismo dito ortodoxo ou tradicionalista afirma certas "verdades" que entram em aberta contradição com o Livro que é suposto ser norma de fé dos discípulos de Cristo Jesus.
Não deixa de ser profundamente triste que do alto dos púlpitos e nas encíclicas que deveriam ajudar o Povo de Deus a ter mais comunhão e entendimento do Seu Senhor se divulguem ensinamentos que não esclarecem nem respondem a muitas das inquietações sentidas pelas pessoas.
É cada vez maior o divórcio entre aquilo que a cúpula diz e aquilo que a base faz. É cada vez maior a separação entre aquilo que a Igreja prega e aquilo que o mundo dela espera.
Ressurreição - interpreta-se a ressurreição da carne como o retomar do mesmo corpo, ainda que espiritualizado, pelo espírito daquele que o deixou no momento da morte. Assim, milhões de crentes aguardam que todos aqueles que já passaram pela terra e "adormeceram no Senhor" voltem a manifestar-se com o mesmo corpo. Cientificamente falando, isto é um absurdo. Como poderão os elementos constituintes de determinado corpo que, por exemplo, se desintegrou numa explosão, e que se diluiram na natureza e já foram assumidos por outros seres vivos, serem reintegrados? Mais simples será acreditar que ressurreição é o equivalente de "reencarnação".
Isto é, a alma daquele ser humano que hoje morre será a mesma que se manifestará num corpo equivalente num futuro não muito distante; nesse sentido a carne que hoje volta ao pó, amanhã erguer-se-á novamente.
Reencarnação - são várias as passagens bíblicas que indicam claramente a crença na reencarnação. Quando os discípulos se deparam com um cego de nascença (João 9,1-) perguntam a Jesus se a culpa de ele ter nascido cego era dele ou dos pais. Como poderia ser ele teoricamente culpado se ainda não tinha tido a oportunidade de errar nesta vida?
Noutra parte da Escritura, se bem que João Baptista disse que não era Elias (porque o não sabia, porque não lho fôra revelado), Cristo confirma que ele era o Elias esperado. E como poderia ser Elias se não fosse a reencarnação do mesmo espírito com outro nome e outro corpo?
Noutra passagem (Mt 16,16) também Cristo pergunta aos discípulos:
"Quem dizem as pessoas que Eu sou?"
São dadas várias respostas, entre elas que seria um dos profetas (e não um novo profeta).
Diz também o Salmo 71, 20: "de novo me darás a vida; das profundezas da terra me levantarás outra vez."
Muitas outras são as alusões à reencarnação.
Descubra connosco quais no seio de um grupo de estudo bíblico.
Comunicação com os mortos - dizem os cristãos tradicionalistas que não nos podemos comunicar com os mortos ou vice-versa com base numa passagem em que a invocação dos mortos e a sua consulta é claramente proíbida. Dizem também que, ainda que pudessemos comunicar com alguma entidade não corpórea, ela seria um demónio fazendo-se passar por uma pessoa falecida. Não existe mentira maior do que esta.
Explicando: a proibição da consulta aos mortos insere-se numa proibição ampla de todo o tipo de práticas em que estivesse envolvido o culto e invocação a outros deuses sem ser o Deus de Israel.
É verdade que existe um grande risco para aqueles que invocam os mortos ou se comunicam com eles através de mediuns porque muitas das entidades que se identificam como sendo fulano tal, não o são ou são invenções engenhosas do próprio medium. Mas ainda assim, a comunicação é possível.
Veja-se o caso de Elias (e não de um demónio a fazer passar-se por ele) que se comunicou com Saúl através de uma medium (I Sm 28). Veja-se também o caso de Moisés e Elias que se comunicam com Cristo no monte da transfiguração sendo vistos pelos Apóstolos (Mt 17,1-8). E que dizer do morto mais famoso de todos os tempos, o próprio Cristo que apareceu a Paulo e a outros várias vezes?
O Inferno - Diz também o Cristianismo oficial que, depois de vivida uma unica existência, se decide a nossa permanência eterna num lugar de suprema felicidade e de gozo inigualável ou que somos relegados para um lugar de tormento eterno em que seremos castigados pelo Diabo em pessoa e pelos seus anjos. Vinda a morte nada mais podemos fazer, não podemos alterar o nosso destino.
Se cometemos algum erro ou sucessão de erros na nossa curta vida, temos a garantia que permaneceremos milhões e milhões de anos num estado de infortúnio absoluto e num sofrimento atroz. Esta hipótese é primeiramente um atentado à concepção cristã de Deus como sendo um ser de infinito de amor.
Que ser humano, com todas as suas limitações, condenaria alguém a uma pena eterna só porque cometeu um erro, por mais grave que fosse? Até os sistemas jurídicos humanos cada vez mais optam por limitar o tempo máximo das penas a aplicar ao maior dos criminosos.
Por exemplo, em Portugal o tempo máximo é de vinte e cinco anos. E, vistas bem as coisas, uma pena é aplicada para que aquele que viola a lei aprenda a cumprí-la e evite violá-la novamente. Assim se regenera um homem. Porque então Deus aplicaria uma pena eterna aos homens sem lhes dar oportunidade de refazer os seus erros e de viverem uma vida de acordo com os seus princípios.
Que pai castiga o seu filho sem ser com o objectivo de lhe indicar que há outra via, que existe um caminho alternativo? Que diríamos desse pai se trancasse o seu filho no quarto durante toda a sua vida e ainda por cima não o alimentasse e, em vez de o exortar a mudar de comportamento, estivesse constantemente a ingligir-lhe castigos corporais? Seria um pai tirano. Mas o nosso Pai celestial não é assim e este inferno defendido por católicos e protestantes é algo que não existe.
Atentemos nas palavras do Apóstolo Paulo (Rm 8,38-39):
"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura [céu], nem a profunidade [inferno], nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor."
Jesus Cristo fala concerteza de castigos ou consequências negativas para aqueles que se recusam a andar nos caminhos de Deus. Fala mesmo de um lugar (a Geena) onde há um fogo que não se apaga. Mas esta chama não é uma referência a um inferno de onde não mais sairemos.
Quando muito, o inferno existe eternamente mas a permanência da alma no mesmo não é eterna porque, assim que as "penas" são cumpridas, a alma é libertada e regressa a Deus. Além do mais a referência ao fogo é uma alusão simbólica ao fogo da consciência que nos acusa implacavelmente quando violamos a grande Lei.
A criação ex-nihilo e os Elohim - diz-se nos meandros teológicos que Deus, ao decidir na Sua infinita sabedoria, criar o universo, que o fez surgir do nada (do Latim, ex nihilo). Mas filosoficamente é inconcebível que do nada possa sair algo. Do nada, nada pode sair. O mundo, ao ser criado, surgiu de uma matéria primordial, em Grego
(arquê).
Essa matéria é, ao fim e ao cabo, uma extensão ou manifestação indiferenciada de Deus que é moldada e fecundada e lhe é dada forma pelos Seus representantes.
Na Bíblia estas entidades sumamente inteligentes e poderosas são chamadas Elohim. Os tradutores da Bíblia, não conseguindo conciliar a tradução mais óbvia e correcta do Génesis (primeiro livro da Bíblia e onde se fala dos Elohim) da palavra Elohim com a concepção correcta que Deus é um só, decidiram traduzi-la pela palavra Deus, palavra singular e masculina. Sucede que Elohim é uma palavra hebraica plural e que designa um carácter masculino e feminino. Portanto, a melhor tradução da conhecida passagem "No princípio, criou Deus os céus e a terra.
A terra porém estava sem forma e vazia" (Gn 1,1-2) seria "Da matéria pré-existente /primordial e eterna os deuses (de caracter masculino e feminino) moldaram a terra e lhe deram forma."
Portanto, não foi o Deus supremos, o Todo, o Uno que se preocupou em moldar o nosso universo e especificamente o nosso planeta.
Delegou nos Elohim esta função e encarregou-os de fazer as coisas em seu nome. Isso mesmo dá a entender a Bíblia quando se diz que a Lei foi dada a Moisés não pelo próprio Deus supremo e absolutamente transcendente mas pelos Seus anjos (literalmente, "mensageiros") (Hb 2,2).